Quando não investir em design de embalagem

Uma louça premium de 250 reais sai numa caixa genérica de 15,50. Parece descuido. É a decisão mais inteligente daquele projeto, e o mesmo raciocínio explica por que a embalagem de um produto mais barato, na prateleira ao lado, mereceu meses de trabalho.

Quem aprova orçamento de embalagem precisa de um critério, e não de gosto. O critério cabe numa pergunta.

Toda embalagem faz três coisas, e só uma é opcional

Proteger, transportar e comunicar. As duas primeiras não se negociam: se a embalagem falha nelas, não existe arte que salve. A terceira depende de um único fato do mundo real: o comprador vai encontrar o produto, ou vai encontrar só a caixa?

Essa é a pergunta que governa o investimento inteiro. Como a embalagem interfere na decisão de compra?

Os três caminhos

A embalagem vende. O produto está fechado dentro dela e o comprador decide pelo que a caixa mostra e explica. Aqui comunicar é a função principal, e cortar verba de embalagem é cortar verba de venda.

O produto vende. O produto está exposto fora da caixa, num display, aberto, ligado, soltando água. O comprador toca, testa e decide pelo produto. A embalagem só aparece na hora de levar para o carro. Ela precisa proteger e transportar bem, e não precisa comunicar quase nada. Nesse cenário, uma caixa genérica compartilhada entre vários produtos baixa o custo por unidade e não custa nenhuma venda.

A experiência de luxo. Um porta-toalhas de 3 mil reais pode estar exposto fora da embalagem, e mesmo assim a caixa não pode ser qualquer uma. Ela não precisa vender: precisa estar à altura do que a pessoa acabou de pagar. Aqui a embalagem confirma a decisão em vez de provocá-la, e isso também é motivo suficiente para investir.

Investir igual em toda embalagem é o mesmo que não decidir nada. O dinheiro que sobra da caixa que não precisa comunicar é o que paga a caixa que precisa.

Quatro variáveis antes de aprovar o orçamento

Na Deca, essa decisão passa por quatro filtros, e nenhum deles é estético.

  • Segmentação e produto. Este produto tem história para contar, ou é simples o bastante para se explicar sozinho? Público leigo ou especializado?
  • Canal de venda. Autosserviço de home center ou lojista especializado com vendedor ao lado?
  • Decisão de compra. O produto fica exposto dentro ou fora da embalagem?
  • Investimento do produto. Quanto a pessoa pagou, e o que ela espera receber na mão?

E a decisão não é de uma pessoa só. Ela junta marketing de produto, pesquisa e desenvolvimento, suprimentos, engenharia de embalagem e design. Quem decide sozinho descobre o erro na fábrica.

O canal muda tudo

Num home center num sábado cheio, não existe vendedor disponível. O comprador anda com o carrinho, para na frente de duas caixas parecidas e escolhe. Ali a embalagem é o vendedor, e é o único.

Numa loja especializada, com vendedor ao lado, o cenário se inverte: existe alguém para explicar o diferencial, tirar dúvida e fechar. A embalagem pode ser mais limpa, mais silenciosa, mais premium, porque o argumento tem outra boca. Mesmo produto, mesma marca, duas embalagens com trabalhos diferentes.

Quem escolhe, quem paga e quem abre

Em material de construção acontece uma coisa que quase nenhuma categoria tem: o arquiteto escolhe, o dono da obra paga e o instalador abre a caixa. São três pessoas, três momentos e três necessidades sobre a mesma embalagem. O arquiteto quer especificação, o dono quer confirmação de que gastou bem, o instalador quer achar as peças e as instruções em trinta segundos.

Tratar os três como um comprador só é o jeito mais rápido de perder dois. Antes de decidir quanto investir, decida para quem, e em que ordem, essa caixa vai falar.

Ver o projeto Acqua Plus → Atributo não vende. Benefício vende. →

Perguntas frequentes

Investimento em embalagem: as perguntas que chegam primeiro.

Como saber se vale investir em design de embalagem?

A pergunta que resolve é se o comprador encontra o produto ou apenas a caixa no momento da decisão. Produto fechado dentro da embalagem significa que a embalagem é quem vende, e o investimento se paga. Produto exposto fora, em display ou em amostra, significa que a decisão acontece no produto, e ali a caixa precisa proteger e transportar bem, não convencer.

Embalagem de produto de luxo precisa vender?

Não precisa vender, precisa estar à altura. Um item caro exposto fora da embalagem já foi escolhido pelo produto, mas a caixa que a pessoa leva para casa faz parte do que ela pagou. Nesse caso o investimento existe para confirmar a decisão de compra, não para provocá-la.

O canal de venda muda o projeto de embalagem?

Muda o trabalho da embalagem. No autosserviço de home center pode não haver nenhum vendedor disponível, e a embalagem assume sozinha a explicação, a comparação e o fechamento. Na loja especializada existe um vendedor ao lado do cliente, então a embalagem pode ser mais limpa e mais premium sem perder venda.

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