Desafio
Lançar uma categoria que o brasileiro não conhece. Menos de 5% das pias do país têm um triturador; nos Estados Unidos, metade das casas tem. Eu mesmo nunca tinha usado um, e cada dúvida minha acabou virando um painel da caixa.
Cliente: Deca · Triturador de Resíduos
Triturador de Resíduos de Alimentos: como vender um produto que o público desconhece?
Em resumo
Menos de 5% das casas brasileiras têm um triturador de resíduos de alimentos; nos Estados Unidos, metade tem. Sem hábito, sem categoria formada e sem vendedor na loja, a embalagem tinha que fazer o trabalho inteiro. A categoria vendia nojo: caixa branca, pia suja, restos caindo no ralo.
Desenhei o oposto exato disso e organizei a caixa num sistema de quatro faces, cada uma respondendo uma pergunta do comprador na ordem em que ele pergunta: o que é isso, o que eu ganho, como é feito e como funciona. Paleta escura no lugar do branco clínico, render limpo no lugar da pia suja, ícones desenhados do zero no lugar do resto de comida.
Uma lojista vendeu o produto em vídeo sem tirar da caixa. O projeto venceu o WorldStar Special Award Marketing Gold 2026, a embalagem de marketing mais eficaz do mundo no ano, mais o WorldStar em Household, a Prata ABRE 2025 e o Bronze no Brasil Design Award 2025.
O sistema
O que é isto? Posso confiar? Produto em tamanho real, a marca, e a frase que nomeia uma categoria de que a maioria nunca ouviu falar. Nenhum claim ainda. Primeiro, reconhecimento.
O que eu ganho de verdade? Sem cheiro na lixeira, sem descer com o lixo, menos insetos em casa. A tradução do atributo técnico vira ganho, na mente de quem lê.
Como isso é feito? É aqui que o preço se justifica para quem lê: detalhamento dos atributos técnicos.
Como funciona, e para onde vai o resíduo? O que pode e o que não pode ser triturado? Infográfico desenhado do zero explica de forma fácil e lúdica, derrubando a última objeção.
Essa é a vista que o usuário tem do produto. A válvula por onde o resíduo entra fica na bancada, à vista e ao toque todo dia, enquanto o corpo do triturador vive escondido no armário. O topo ganhou o mesmo acabamento premium da frente, porque é com esse detalhe que o cliente convive.
O projeto em uma frase
Menos de 5% das casas brasileiras têm um triturador de resíduos. Sem hábito, sem categoria e sem vendedor na loja, a embalagem tinha que fazer o trabalho inteiro: explicar o que é o produto, convencer que vale o preço e ensinar como se usa. Tudo isso de forma premium, para se destacar dos concorrentes.
Como foi feito
Lançar uma categoria que o brasileiro não conhece. Menos de 5% das pias do país têm um triturador; nos Estados Unidos, metade das casas tem. Eu mesmo nunca tinha usado um, e cada dúvida minha acabou virando um painel da caixa.
A categoria inteira vendia nojo: caixa branca, pia suja, resto de comida caindo no ralo. "Que nojo" foi a reação unânime quando mostrei as referências internamente. Ninguém tinha percebido que o mercado fazia isso com o próprio produto.
Desenhei o oposto exato da categoria. Paleta escura no lugar do branco clínico, render limpo no lugar da pia suja, ícones fofos no lugar de restos de alimentos caindo no ralo. Quatro faces, uma pergunta do shopper em cada.
Ouro no WorldStar Special Award de Marketing, premiado no WorldStar em Household, prata no ABRE e bronze no Brasil Design Award. E a prova que vale mais do que prêmios: uma lojista vendeu o produto em vídeo sem tirar da caixa, somente lendo a embalagem.
O diferencial
Um produto que quase ninguém no Brasil já usou precisa se explicar sozinho. Desenhei um infográfico do zero, na própria caixa: água fria, ligar, colocar o resíduo, empurrar com a espátula, e para onde o resíduo vai depois. Ele desmistifica a engenharia para qualquer leigo e derruba a última objeção antes da compra, mostrando que todo o uso é seguro.
O mercado inteiro respondia "o que posso triturar?" com pias sujas e restos caindo no ralo, a imagem que afasta o comprador. Troquei por um sistema de ícones simpáticos: frutas com casca, cascas de ovo, vegetais, restos, até espinhas e ossos. Mais clareza, mesma informação, emoção oposta.
A categoria
Comprei os concorrentes e fotografei os quatro lado a lado, como o comprador encontra no home center. Tramontina, InSinkErator e Franke: origens diferentes, fórmula idêntica. Caixa clara com cara de produto de segmento médio, selo de garantia e número de HP brigando por espaço na frente, e o resíduo em foto grande, ora boiando sobre o aparelho, ora espalhado dentro da cuba.
Quatro marcas dizendo a mesma coisa do mesmo jeito anulam a diferença entre elas. É esse alinhamento que abre a única posição que ainda estava livre na gôndola, e é dela que sai tudo que aparece nas faces acima.
A validação
Ela apresentou o lançamento, explicou o que é, como funciona e por que comprar, apontando para cada face da embalagem. É a tese inteira do projeto, provada espontaneamente por alguém que nunca recebeu briefing.
Reconhecimento
Quatro júris diferentes chegaram ao mesmo veredito. No WorldStar, da World Packaging Organisation, a embalagem venceu a categoria Household e depois levou o Special Award de Marketing, o ouro dado à melhor embalagem de marketing entre todas as vencedoras do ano.
No Brasil, prata no Prêmio ABRE da Embalagem Brasileira em Design Gráfico e bronze no Brasil Design Award.
Quatro cartuchos viraram uma caixa e um berço de polpa: montagem −50%, custo unitário −21%.
Retomar uma embalagem copiada: reset gráfico + reconstrução estrutural.
Adequação regulatória em todo o portfólio de embalagens.
Construir uma marca de suplemento anticelulite sem usar nenhuma arma da categoria.
A embalagem é o vendedor, ainda mais numa categoria nova →
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